terça-feira, 22 de novembro de 2011

A arte de se trocar pelo outro

Quão belo é interpretar? Quão belo é experimentar pelo menos por um momento o que o outro se sente, colocar-se no lugar do outro, fazer-se pelo outro, e até porque não, viver o outro. Viver uma experiência que não é sua. Viver o inusitado, e por que não, o inesperado? Viver um outro alguém, a imagem de quem você sempre quis ser e as leis da sociedade na qual vive nunca o permitiram. Liberte-se, mostre a que veio, seja quem você nunca foi. Esse é o poder da interpretação, o poder de mostrar aos outros uma nova versão de si mesmo. Uma nova versão que nem ao menos você conhecia. Um outro lado da sua vida que não precisa ser definitivo, ao menos pode ser mostrado, por um momento apenas, e depois tudo volta ao normal, tudo voltar a ser o que sempre foi. Com um diferencial, o que você sente não é mais o mesmo, a sua vida não é mais a mesma, pois vivenciaste uma nova vida, uma nova realidade, um novo contexto. Conseguiste viver uma vida que não é a sua, além do mais, mostrar que é possível ser alguém que não seja você mesmo.
A arte de se trocar pelo outro, o encontro dos desencontros encontrados dentro de cada ser. A vida trocada a cada cena, cada peça, cada passo. Cada movimento friamente/devidamente calculado, ensaiado, para que tudo no final ocorra bem, e que a mensagem seja passada. Através de seu corpo, através de seu personagem. Através de tudo que você possa usar e imitar, para que nada seja passado em branco e tudo seja usado em prol do personagem, e não de você. Você é o personagem, consequentemente ele virá a ser você. Não eternamente, ao menos no momento em que se encena. Depois ele volta a ser ele e você, você. Mas sempre, fica um pouco de cada um dentro de você, pois algo de profundo você dedicou para viver o outro, e parte desse outro morrerá com você, mesmo que esse outro nunca tenha existido.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Filosofando o fim


Dura filosofia que deve ser aceita e não lamentada. Deve ser vivida e não simplesmente pensada. Deve estar dentro de cada um, e não nos textos escolares ou na vida de outrem. Não é momento de aproveitar, e sim de sentir, sentimento esse que deve ser sincero, do fundo do seu ser ou, porque não, de seu coração. Muita gente pensa: “Vai acabar, e agora?” ao invés de simplesmente dizer: “É, vai acabar” Não é nada insensível dizer algo do tipo, pois é um fato consumado, fora de qualquer tentativa de abortagem. Não há como impedir algo que está diante dos seus olhos e é intocável às suas mãos. O fim está próximo, é verdade. Mas tanto como o fim, o recomeço também está por vir. Uma nova fase de nossas vidas está para começar. E ao invés de lamentar o que vivemos e aproveitamos (ou não) está acabando, lembre-se! Há algo novo que está chegando, que está dando as caras por aí, e que você finge não ver, pois se lembra que para isso existir, existe um fim que vai acontecer.
Não entendo porque fugir do fim. É algo que está em nossas vidas assim como o tempo, que nunca para, nunca corre, nunca fica devagar. A vida é findável, assim sendo não há como algo ser eterno em nossas vidas, então, que seja eterno enquanto dure. Nada mais posso dizer. Nada mais posso falar. A única coisa que posso é sentir, viver e sonhar. Sonhar no impossível, sonhar algo que em vida não posso mais realizar. Viver os sonhos, e as alegrias que ele também proporciona, viver a realidade de tudo, de um todo, as nossas alegrias e tristezas, tudo o mais. Ainda que seja o último, ele ainda existe, e está aí para ser vivido aproveitado intensamente.  Com todas as palavras que posso, é isso que digo. Sim, vai acabar. Já está acabando, o duro é aceitar. Depois de aceito tudo fica mais fácil, tudo fica mais nítido, tudo fica mais viável. É uma possibilidade. Dentro de muitas, mais uma, para ajudar a pensar.
Aos meus amigos e a quem eu possa dizer,
Obrigado.  

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Política do “por que sim?”


Há um determinado tipo de pessoas, que não hesita em questionar a razão de ter de fazer certas coisas. Não é uma questão de ser o “recusa tudo” ou “antissocial”, mas uma questão de saber manter a sua opinião, saber o que você realmente quer e não se permitir ser influenciado por opiniões alheias. “Por que que eu tenho que ir a tal lugar?”, se você não gosta declaradamente não há motivo algum para ir “mas tal pessoa vai.” Dane-se a pessoa, se é seu/sua amigo/amiga, vai te entender e não vai te forçar a ir , mas caso seja alguém que você gostaria de conhecer melhor, reveja seus conceitos, pois terá que agüentar a mesma situação enquanto estiver com a pessoa.
A idéia é a seguinte, ninguém pode, nem deve, me dizer ou induzir o que eu devo ou não fazer. Conselhos são bons, mas quem decide o rumo que eles vão tomar em minha vida sou eu, ninguém além de mim.
A vida é feita de escolhas, e quem não é capaz de fazer as suas próprias, em essência, não está vivendo, está na verdade, permitindo que os outros vivam por ela, sem que a mesma pessoa saiba o que realmente é viver. 

sábado, 27 de agosto de 2011

Política do “por que não?”



Muitas pessoas para qualquer decisão que envolva algo diferente têm uma frase pronta. “Por que não?” Porque não fazer qualquer coisa? “Bora lá”,  vamos ver no quê que dá.  Não custa nada tentar fazer algo diferente uma vez na vida, não custa nada mudar os ares de vez em quando. Sabe-se lá quando você poderá fazer tal coisa novamente. Então mão a obra e “vamo caí pra dentro”, tentar, caso contrário nunca saberemos se vai ser bom ou não ou mesmo se vai fazer falta algum dia.
Há coisas na vida que nem sempre estamos maduros o suficiente para escolher a melhor opção e com o passar dos anos ficamos nos questionando o porquê de não termos feito. Se não sabemos ao certo se devemos fazer ou não, melhor que se faça, é mais uma experiência de vida para guardar, sendo boa ou ruim. Agora se não experimentar, e for tomando essa atitude por toda a vida não terá do que se arrepender, porém não terá nenhuma experiência a compartilhar, e nem moral para dar conselhos, pois você não se permitiu arriscar para depois poder garantir com a segurança da experiência quais são os riscos e benefícios de cada coisa que você vivenciou em sua vida.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Não Faz Sentido! Preço Justo


Não estou aqui para fazer apologia nem propaganda à campanha de Felipe Neto, mas para mostrar algo que estamos cansados de saber e pouco fazemos para encarar e tentar ao nosso alcance mudar essa realidade de nossa nação.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

O sentido do aprendizado

Para qualquer aprendizado em nossa vida precisamos passar por três etapas. Conhecer, entender e aplicar.
Em primeiro lugar, passamos por uma fase de adaptação, de conhecimento. Uma sondagem. É o momento de sabermos do que se trata aquilo que surgiu a nossa volta. Necessitamos saber reconhecer isso em qualquer lugar, pois era algo que antes passava despercebido, sem que pudéssemos ver alguma importãncia. Temos que investigar, ficar intrigados, enxergar o que aquilo lhe pode ser útil. Simplesmente queremos conhecer, nada que nos tome muito tempo, mas que possa nos trazem informações importantes, informações que nos deem base para que possamos julgar a relevância de um todo. Sem essa fase nenhum conhecimento será de alguma utilidade.
Após isso temos a fase do entender. É a fase mais interessante do aprendizado, e também a de maior importância, pois é nela em que você dedica todo o seu tempo àquilo. É nesse momento em que você por vezes fica tão fascinado com o que está descobrindo que parece que todos os assuntos têm uma certa ligação. Neste momento você parece assimilar tudo com maior facilidade, e realmente o está fazendo. Você gosta do que faz, gosta do que aprende, e se sente satisfeito em querer saber mais e mais, cada vez mais. Coletando o máximo de informações possível do maior número de fontes atingíveis para tentar saciar a sede de conhecimento que aflora em sua mente. Tudo é novidade, tudo é atraente, portanto, tudo desperta interesse. Aí chega uma hora que você para e pensa. "Pra que eu estou fazendo isso?".
Então chegamos ao momento final. O momento de botarmos nossas ideias em ordem. De fazermos tudo o que conseguimos até o momento ter algum sentido. É a hora de usarmos todo o conhecimento adquirido para algo maior, algo que nunca havíamos pensado antes, algo novo. Sentimos a necessidade de juntar tudo para criar algo novo. As vezes não é a necessidade de criar, mas simplesmente de dar um novo sentido a nossas vidas, uma visão diferente do mundo ao nosso redor. Ter uma nova perspectiva de vida a partir do que conseguimos. O problema é que muitas das vezes sentimos tudo isso, mas não sabemos como reagir, pois temos o conhecimento, a vontade de mudar, e não temos a mínima noção de como fazê-lo, de como botar o que aprendemos em prática. Não temos ideias de como avançar e é aí que temos pensar, parar e analisar como proceder. Por vezes descobrimos que precisamos da ajuda de alguém[P2], por outras vemos que a solução está dentro de nós mesmos, só que numa profundidade tão grande de nós que temos que passar de dias até meses, ou mesmo anos, investigando dentro de nós atrás de uma situação vivida que remeta em algo que nos traga a luz[P1] que precisamos para conseguirmos aplicar a nossa agora teoria que passamos tanto tempo a desenvolver. Que nos custou tantos dias reflexivos, evitando contatos para trabalhar em nossa tese psicológica, as vezes até acadêmica, para termos o alicerce no qual será fundada a nossa obra definitiva. Então quando a vemos aplicada podemos ter a sensação de dizer que tudo aquilo "foi fruto do meu esforço". Uma frase já desgastada pelo uso, mas que para cada um de nós tem sentido próprio e individual para designar a nossa realização em nos deparar com algo definitivamente nosso e poder sentir orgulho disso sem precisar do alvará de ninguém.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Filosofias

"Qual é a origem da maldade?"

Qual é a razão do preconceito, porque gostamos tanto de préjulgar ao que não conhecemos.
A natureza humana é a natureza da cópia, é a filosofia da xérox. Tudo, absolutamente TUDO produzido pelo Homem é, de certa forma, alguma coisa de algo que já existe. a verdade é que copiamos de tantas fontes diferentes que acaba por tornar-se algo autêntico. O ser humano tem a si mesmo como espelho e referência. Se por alguma razão, em sua criação, o Homem é privado do Homem, ele viverá conforme o meio em que se encontra. O que era o que basicamente acontecia nas sociedades mais primitivas.
O ser humano ainda não havia formado sua cultura, suas leis, regras, vínculos. Era apenas mais um ser vivente no mundo. Porém à nossa espécie cabia uma característica bem peculiar, a cultura da xérox. Desde sempre fomos extremamente aptos a copiar tudo o que vemos ao nosso redor. Copiamos os hábitos alimentares dos macacos, a forma de caça dos predadores, a forma de fuga das presas, e até mesmo a forma de construir um abrigo das aves.
Fiquemos com o aspecto predador. O Homem vive na cultura da xérox. Se um animal precisa matar ao outro para sobreviver, assim o faremos. Se o animal precisa matar ao semelhante para sua sobrevivência, assim também o faremos. Nossas atitudes se remetem ao que aprendemos no passado  e ao que almejamos no futuro, que é outra característica tipicamente humana(projetar o futuro). Juntando-se as características naturais às típicas temos a nossa espécie, que não age pela subsistência, mas também por ela. A espécie na qual nos encontramos procura sobreviver sem prejuizos. Nós aprendemos a querer "viver sem sermos afetados por nada". Com um tempo e consequentemente, com o desenvolvimento socio-cultural passamos a acrescentar um complemento à frase, que passa a ser "viver sem sermos afetados por nada e NINGUÉM". A partir daí nossa sociedade nunca foi a mesma, pois, quando incluimos esse final a frase estamos menosprezando nossos iguais sentindo-nos superiores de alguma forma para que possamos denominar-los uma ameaça a nós.
Em consequência dessa nova maneira de pensar,  passamos a agir conforme nossos ideais, conforme nossas vontades, pouco importando a posição do outro, pois, EU preciso sobreviver na natureza e para isso o outro não pode me atrapalhar, de forma alguma. A partir desse momentos podemos notar claramente a ideia de competição, que gera conflitos, trapaças, e a maldade que no momento já se encontra encorporada à humanidade.

terça-feira, 12 de abril de 2011

[2] O mundo como ele é

O mundo campestre

Nascemos conscientes de nosso destino. Nascemos sabendo que morreremos servindo aos outros. As pessoas só sabem dizer "Pra você ser alguém na vida você precisa estudar". Pura mentira. Essa não é a realidade. Nasci escravo, morrerei escravo. Não era essa a lei escravocrata. Os séculos passaram e parece não haver mudado muita coisa. Hoje não são só os negros, qualquer pessoa que trabalhe no campo, nas lavouras sabe muito bem disso. Elas sim sabem o que é passar o mês trabalhando para ganhar cem reais ou até menos. Tudo bem que o custo de vida é baixo, mas não justifica. Se a lei prevê um salário mínimo, já está estipulado que será o mínimo. Não tem porque pagar menos.
Passamos nossa vida inteira trabalhando debaixo do sol, derretendo de calor, mas sem poder tirar a roupa para não ficar queimado e não poder trabalhar no dia seguinte. Nos cortamos, nos furamos, mas o patrão "não está nem aí", ele não quer saber de problema de quem trabalha na roça. A vida é dura e temos que continuar vivendo.
EStudar, estudar. Besteira. Não temos tempo para isso. Só precisamos aprender a ler e fazer as contas básicas, para não sermos enganados por pessoas de má fé. É melhor deixar os estudos para quem tem tempo e dinheiro para isso. Meu salário é precioso para ficar gastando levando o meu filho para a escola. Eu não fui e vou muito bem, então meus filhos não precisam ir.
As pessoas parecem não entender o quanto a nossa vida é difícil. E ainda vêm falar de estudo. Como se pudéssemos estudar. Isso é só para quem pode.Quem não pode tem que trabalhar, e muito.

sábado, 2 de abril de 2011

Smoke on the water - string quartet version

 

A aclamada música "Smoke on the water" arranjada por um quartero de cordas ao que tudo indica(fim do video) italiano.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

[1] O mundo como ele é

O mundo urbano

Quem reina o mundo em que vivemos é o relógio, o tempo, o calendário. Faz anos que o Homem tinha controle de suas próprias vidas, de suas próprias decisões. Hoje ele só tem o tempo a seguir. Não há mais vida, só há trabalho, horário, regras e deveres. Direitos? De vez em quando se lembram de algum, mas no geral, só somos uma mão de obra necessária para que o processo funcione, para que se siga com a produção, que assim como o show, deve sempre continuar.
E como ficamos nós, em meio a esse sistema de cobrança excessiva? Não ficamos. Eles pouco se importam se estamos cansados, sofrendo, ou mesmo morrendo. “Se você não está em condições, ponho outro em seu lugar”, é como eles respondem. Não há conversa, muito menos negociação. Essa é a triste realidade, e a teremos que aceitar.
Já ouvi várias vezes a frase: “Estou me virando em dois”, três e até quatro, “para fazer isso”. Qual é o sentido de tanto esforço, de tanta dedicação? Temos mesmo que saber tanto assim? Será que usaremos todo esse conhecimento que querem que tenhamos? Creio que não. Basta conhecer a vida e perceber conforme a necessidade o que devemos ou não conhecer e fazer. É essa a essência da vida. Temos que aprender na hora, no momento, e em algum lugar, para que nosso conhecimento seja pleno e verdadeiro, não apenas um mundo de fachada, em que temos milhões de diplomas e não sabemos o que fazer com nenhum.
A vida nos propôs dois momentos ao dia. O dia propriamente dito e a noite, para que no primeiro possamos explorar todo o nosso mundo e vivermos nele, e no segundo possamos assimilar tudo o que adicionamos ao nosso conhecimento, ao nosso saber, pois é no descanso que adquirimos o verdadeiro conhecimento, aquele no qual podem se passar cinqüenta anos que você nunca o esquecerá, nunca o perderá.
Os seres humanos foram feitos para aprender, para mudar, e para VIVER. Não há razões para que vivamos em função de nossas próprias invenções.
Quem inventou o relógio, o carro, o avião? Tudo é coisa da humanidade, tudo é culpa nossa. Conhecemos o tempo, descobrimos como contá-lo e resolvemos usar-lo a nosso favor. Pena que um fenômeno bizarro aconteceu. À medida que a humanidade descobre novas maneiras de economizar seu tempo percebe que menos tempo terá o que levou muitas pessoas a consultórios psiquiátricos por problemas de estresse, depressão, dentre varias outras doenças causadas pelo estilo de vida contemporâneo, que é opressor, manipulador e exigente no qual pouquíssimos conseguem se adaptar sem nenhuma seqüela. Esse é o mundo moderno, esse é que é o mundo das tecnologias, o mundo das atualidades, do hoje, do agora, do “pra ontem”. É esse o mundo em que somos forçados a nos adaptar, pois é nele que temos que viver e não há como fugir sem ficar parado no tempo. Ganhamos muitas facilidades, mas perdemos nossas vidas.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Toquinho - Aquarela


 
 Música que através de desenhos que Toquinho provoca em nossa mente passa várias coisas que podemos fazer enquanto pintamos e também o quão nossa mente pode ser criativa quando não permitimos que um imprevisto estrague nossos objetivos. 
Ele mostra o quanto devemos ser simples e que apesar de tudo um dia o mundo se descolorirá.

[2] O mundo das artes


As telas da realidade

O que podemos fazer com lápis e papel? Tudo! Qualquer coisa que tiremos de nossas cabeças pode ser estampada em qualquer folha, em qualquer tela, cartolina, o que seja. Qualquer lugar em que possamos despejar todos os nossos sentimentos.
A pintura é a representação de toda a capacidade humana de mostrar a sua realidade, de mostrar quem é e porque é. Por que as crianças gostam tanto de pintar? Porque em seus desenhos elas mostram tudo o que elas gostam e valorizam, tudo o que para elas é importante. A medida que crescemos, ganhamos valores e morais que não possuíamos antes e que nos faz ter vergonha de quem somos e de nos mostramos inteiramente aos outros. Como é bom ter um quadro a sua frente. Ele será seu espelho. Será você. Ele é você. Ao pintarmos qualquer coisa que não seja programada, e mesmo as programadas, pintamos nossas próprias almas de acordo com o que o nosso interior nos permite.
O dom da pintura é um dom nobre, um dom até divino. É uma capacidade que demonstra o quanto a pessoa é capaz de exteriorizar, de mostrar o mundo em que vive. Aqueles que não conseguem ver a beleza do pintar não são capazes de ver um palmo diante do nariz, pois a pintura é a forma mais clara de arte, pois ela é claramente visível, mesmo aos cegos, que ao ter a oportunidade de tocá-la e sentir sua textura, suas nuances, verá claramente a beleza em tudo aquilo.
A pintura é o retrato da alma de quem pinta, e o reflexo de tudo que externo.

terça-feira, 15 de março de 2011

Canon Rock


Guitarrista brasileiro que fez um cover do Canon Rock(adaptação do Canon do compositor Pachelbel) de Jerry C.

[1] O mundo das artes

A música como a grande forma de arte

A música pode ser considerada como uma forma totalmente expressiva de arte. Na música interpretamos os nossos sentimentos, pintamos um ambiente por nossos ouvidos, guiamos nossos movimentos e os de quem nos cercam em uma dança que com tudo formam uma harmonia perfeita.
A partir do momento em que tocamos algum instrumento estamos, assim como o ator, vivenciando aquele momento, tendo o nosso instrumento como também uma parte de nosso corpo, pois assim ele o é. Mesmo aos que cantam, ou melhor, principalmente eles, pois para que a música soa em seu mais alto grau de beleza, eles têm que se aproximar o máximo possível da obra original, porque caso não o façam é capaz de que o público até estranhe tal interpretação. Não digo que o cantor deve imitar ao compositor, mas que ele entenda a idéia que foi proposta na música e que a passe também, bem como o ator tem que seguir ao seu roteiro para que a mensagem do roteirista seja passada corretamente.  
Ao tocarmos uma música estamos pintando um cenário. Estamos através de cada movimento, cada modulação, pintando um quadro de sensações que inicialmente podem não fazer sentido algum, mas que dentro de um contexto fazem todo o sentido. Cada estilo musical tem as suas características, sua forma de pensar e de ver o mundo e que devem ser entendidas conforme seus conceitos, conforme os ideais a qual defendem. Nada pode alguém falar sobre um estilo musical, o intitulando de lixo sem ao menos tentar entender o contexto histórico ao qual ele se insere. Seria o mesmo que dizer que o dadaísmo não é arte, pois os próprios dadaístas não demonstram emoção ao produzir sua arte. Pelo contrário, a intenção deles não é mostrar emoção, e sim revolta com o que acontece a sua volta.
O que melhor para guiar nossas vidas do que a música? Momentos bons, ruins, engraçados ou irritantes muitas vezes são associados a algum tipo de música. Até mesmo a memória de alguém querido ou odiado. Através da música que uma pessoa escuta, descobrimos muito a seu respeito, pois quem molda o gosto musical de qualquer pessoa é a sua própria personalidade. Quer saber como você está? Basta prestar atenção em que música anda ouvindo, ou que estilo musical mais lhe é interessante no momento.
A harmonia de todos os aspectos musicais forma um casamento perfeito entre diversas formas de pensamento, ações, e diversas outras coisas, que nem sempre precisam ser entendidas, e sim sentidas. Quando ouvimos a uma orquestra ou vimos a um espetáculo de dança, não nos importamos muito com quem está lá ou o que estão fazendo, e sim com o que querem nos mostrar, de que forma vão nos impressionar. O mesmo acontece com o clipe de uma banda, ou alguma dança individual como break, popping, free step e até mesmo o street dance, que consiste uma dança em coletiva em que cada um é uma parte importantíssima de um todo que principalmente pelo número de integrantes mostra a que veio. Não importa que tipo de dança, todas precisam da música para acontecer.
A música em si já se complementa, pois todos os povos existentes no planeta possuem alguma espécie de música, desde a forma mais rústica até as formas mais complexas. A música usa de dissonâncias, escalas, modos, improvisos e diversos outros recursos para agradar de todas as formas possíveis, criticar quando necessário, revolucionar quando os valores já estiverem ultrapassados, enfim, a humanidade gira em torno da música e vice-versa, não há como viver sem música e a música não vive sem nós. Uma língua, para existir precisa de ao menos um falante que possa se comunicar e um ouvinte capaz de entender a mensagem. A música segue os mesmos princípios da linguagem, e como ela existe onde há humanos, é uma linguagem humanamente universal.

domingo, 13 de março de 2011

Charlie Brown - O futuro é um labirinto pra quem não sabe o que quer

O mundo pelo aluno do 3º ano do Ensino Médio - Parte 2 - Agora é seguir em frente

O que está acontecendo? Por que eu preciso fazer tudo isso?
O Ensino Médio passa voando. Nossa! Já estou no terceiro ano? Pensado bem, passamos oito anos no Fundamental, e o Médio só são três, e o terceiro é o pior – e o melhor – de todos. No terceiro ano lembramos que temos que escolher uma profissão, uma faculdade, qual será que eu faço? “Eu quero fazer algo que me dê dinheiro” É o que muitos dizem. Só que descobrem que não é tão fácil como parece, pois geralmente essas faculdades ou são muito caras ou muito concorridas. “Então eu vou fazer algo que eu goste”. Todo mundo tem um sonho na vida, mas por vezes acaba desistindo por não haver nenhum incentivo ou por receber comentários do tipo: “Você é louco? Isso não vai te dar dinheiro! Você vai trabalhar muito! Se eu fosse você eu faria tal coisa.”O problema é que elas esquecem que a vida é sua e que só você sabe o que é melhor.
E os meus amigos? Quando os verei de novo? Isso é definitivamente a pior de todas as coisas. Se separar de quem convivemos por tantos anos é algo extremamente difícil. A sorte é que hoje existem as redes sociais, o Messenger, e diversos outros meios de manter contato, mas é claro que não é a mesma coisa de antes. Não haverá mais a convivência, as zoeiras, a correria e tudo que sempre teve. Não terá mais a mesma graça. Infelizmente é algo necessário. Dizem que é a fase mais difícil da vida inteira, eu não duvido. E ainda têm muito mais coisa acontecendo.
É. A vida de criança tá chegando ao fim. A de adolescente também. A vida adulta bate na porta. Como será? Será que eu vou conseguir me virar sozinho? Ou será que terei minha mãe sempre lá para me ajudar? O pior de tudo é que eu sei que não. As mães não duram pra sempre, se fosse seria tão bom. Agora o necessário é andar com as próprias pernas, traçar os próprios caminhos, para cada vez menos ter que esperar pela mãe para que ela te ajude. Os dezoito anos estão cada vez mais próximos. A hora de judicialmente se cuidar está batendo na porta. E falando nisso, há outra coisa com o que se preocupar.
Exército. Será que eu serei dispensado? Ou terei que servir. Pode até ser que seja legal, mas, abrir mão de tudo que almejei fazer? Não sei se sou capaz de tal coisa. Uma das coisas que  mais assusta ao jovem brasileiro é definitivamente a possibilidade de ter que servir ao exército. Afinal, não é qualquer um que queira por livre e espontânea vontade ir para o meio do mato e viver do que a natureza oferece. Ainda mais quando você já planejou boa parte da sua vida para algo completamente diferente. Se for dispensado, beleza. Se não for ... we have a problem, a big problem. Aí é algo que infelizmente vai ter que passar, querendo ou não.
Terceiro ano é uma época para comemora também. É o último de onze(agora doze) longos anos de escola em que todos teoricamente temos que passar para seguimos nossos destinos como cidadãos adultos. Haverá muita choradeira, mas também haverá um grande alívio por ter terminado um enorme ciclo de onze anos. Agora é cada um seguir o seu rumo, levando alguns amigos para a vida toda, outros para alguns momentos, e a grande maioria, que você raramente ou nunca mais verá.
Essa é a vida por um aluno do terceiro ano do Ensino Médio.

sábado, 12 de março de 2011

O mundo pelo aluno do 3º ano do Ensino Médio - Como cheguei até aqui?

O que faço da minha vida?
Que faculdade eu vou fazer?
Como será depois que eu terminar a escola?
Qual faculdade vai me dar mais dinheiro?
O que eu gosto de fazer?
Vou ter que fazer cursinho?
Será que eu vou servir ao exército?
Como será ter dezoito anos?
Nossa! Quanta coisa. Será mesmo que eu tenho que pensar em tudo isso? Não tem como deixar para pensar nisso depois? Sei lá, para daqui a um ou dois no máximo. Infelizmente não tem mais como, passamos a vida inteira nos perguntando sobre as mesmas, mas tem uma hora em que vemos que tudo que aquela velha da professora de português, ou aquele chato do professor de matemática, e até mesmo os outros funcionários da escola falavam tem um pouco de verdade.
 O que faço da minha vida?Que faculdade fazer? O que eu gosto de fazer?
O caminho até aqui
Alguém se lembra de quando a tia da escola falava: “O que você quer ser quando crescer?”? E logo de cara vinha a resposta: “Eu quero ser jogador de futebol”. O tempo passa e os gostos vão mudando. Uns dizem querer ser médicos, outros engenheiros, ou simplesmente alguma coisa que dê dinheiro fácil e sem esforço. Se for assim é melhor ser político. Também tinham aquelas redações chatas pra caralho “Como foram as suas férias” que todo começo de ano você tinha que fazer. “Eu fiquei jogando futebol, vídeo game e andando de bicicleta, poxa, o que mais você quer que eu coloque? Vinte linhas é muito professora!!” Hoje em dia eu nem ligo muito para isso, já tem mais de dez anos que eu vou à escola afinal.
Passei da 1ª a 4ª série indo para a escola só para brincar, assistir filme e ouvir história. Claro que tinha uma lição ou outra para fazer e que eu odiava, pois eu queria fazer qualquer coisa e minha mãe falava “primeiro a lição”, e eu ficava fazendo careta e repetindo o que ela falava, coisa de criança nervosa. Depois chega a 5ª série e começa a aparecer um professor atrás do outro.  “Pra quê tanto professor? Uma já era o suficiente.” “Pra quê tanta matéria, só Educação Física já é o suficiente”. Tirando a parte de assistir aula era bom ir para a escola, por isso eu só assistia no dia que tinha prova e trabalho e para não repetir por falta. As meninas começam a ficar mais legais nessa época (da 5ª até a 8ª série), mais ‘interessantes’. Começam a surgir jogos e brincadeiras um pouco diferentes de antes, que agora já não eram mais coisa de criancinha. Agora eu sou grande, não sou mais bebezinho para minha mãe me levar para escola. Mãe tem é que ficar em casa ou no trabalho, fora de casa eu faço o que eu quiser, eu já sei me cuidar.
O tempo passa, as coisas mudam, principalmente quando você chega ao Ensino Médio. Eu não tenho mais tempo para ficar vagabundeando por aí com o pessoal. Agora eu estou precisando trabalhar, minha mãe não quer mais me dá dinheiro porque agora eu tenho que ter o meu próprio dinheiro. E agora eu até que concordo com isso, é até melhor, eu não preciso mais ficar falando com o que eu vou gastar cada centavo do meu dinheiro. Trabalhar. Ir para a escola. Nossa, que cansaço! Antes eu achava que isso era coisa de velho, mas agora eu entendo, infelizmente a gente precisa de dinheiro para tudo. Trabalhar é o único jeito de conseguí-lo além de fazer aposta na mega sena e ir para a ilegalidade. Nem tenho mais vontade de sair, prefiro ficar em casa dormindo. “No fim de semana eu saio”. Engraçado, a escola agora não me parece tão chata.  afinal, eu tenho amigos lá. Porque eu só percebo isso agora? Tem tantas coisas que só vejo agora. Aquela menina feia e esquisita é gente boa, o que ela não tem de beleza ela tem de legal. Os professores ainda ensinam coisas que eu nunca vou usar na minha vida, mas parece que alguns dele têm algo de especial, algo que lembra algum amigo ou alguma pessoa da família. Já sei! Eles são seres humanos também e têm tantos problemas quanto eu.
O que está acontecendo? Por que eu preciso fazer tudo isso?
continua...

sexta-feira, 11 de março de 2011

Para quem está no terceiro ano


Escolhas

Está na hora de juntar todas as suas angústias, todos os seus sentimentos, tudo o que juntou durante vários anos e refletir. Parar, pensar, analisar cada atitude, cada pensamento, cada progresso e ver se tudo o que tem feito até agora valeu a pena. É a hora de fazer as escolhas. Talvez. As escolhas mais importantes de toda uma vida. Talvez não. Sinto que algo está para mudar, ou simplesmente, precisa ser mudado. É uma mudança necessária, assim como um pinto quando precisa quebrar a casca do ovo para sair, pois, se não o fizer morrerá lá dentro. É uma fase de transição. Uma fase em que todos nós devemos passar. É a hora da escolha. É a hora de parar, pensar e concluir que já não mais tempo de brincar. Esse tempo já se foi e se continua brincando com a vida depois é a vida que vai querer brincar, e garanto que não é uma brincadeira muito divertida. Para todos nós esse momento chega, cabe a cada um saber o que fazer quando ele chegar. Uns já estarão prontos, pois durante toda a sua vida teve tempo de sobra para pensar em sua escolha e seguir seu sonho. Ou não terão idéia alguma do que fazer, mas com a ajuda de todos, principalmente da família tomarão a decisão correta. Ainda há aqueles em que em momento algum pararam para pensar nisso, mas intuitivamente sabem que caminho seguir. Mas há aqueles em que tiveram muito tempo para pensar e mesmo assim quando chega a tal hora da verdade ainda estão indecisos e já quase entrando em desespero. Para estes existem várias situações, pois – como dizem os médicos – cada caso é um caso: há os estão divididos em vários e para ele todos são atrativos; há também aquele que tem o seu sonho de infância, mas sua família não concorda e diz que tem que fazem algo antes que lhe traga dinheiro para investir no sonho, e aí é sobre isso que vem a dúvida; há outros em situação idêntica a anterior, mas com a atitude diferente, quer investir no sonho, mas por conta da família tem dúvida se vai dar certo; tem aqueles que acreditam não ter vocação para nada, mas sabe que precisa fazer alguma coisa.
Enfim, há diversas formas de reagir a esse momento, mas é algo inevitável – e ainda há aqueles que pensam que podem passar a vida toda à deriva sem fazer nada, esses me dão pena – e extremamente importante, pois é graças a essa decisão que você descobre a sua identidade, descobre quem você é. Já pensou se não houvesse essa fase de escolha? Como seria? Passaríamos a vida inteira sem ter certeza de quem somos. Estaríamos sempre especulando algo em que queremos nos tornar, mas sem nunca chegar a alguma decisão conclusiva por não haver o momento de escolher. No momento da sua decisão é onde você deixa todas as suas especulações de lado. É onde tudo o que você antes apenas imaginava, agora já está bem concreto na sua mente. Tudo aquilo em que você relutava em dizer, agora já está certo na sua cabeça e ninguém mais no mundo pode mudar a sua opinião. Esse é o momento em que você tem o total controle de si e sabe, que a partir de agora tudo depende de você. Pois em tudo que seus amigos e familiares podiam ajudar, já o fizeram. A decisão final será sempre sua. Quem melhor para saber o que fazer da sua vida se não você mesmo?
Agora é o momento de mostrar para o mundo quem você é e a que veio. É a hora de mostrar a todos tudo o que sabe fazer de melhor, pois o mundo lá fora é cruel e não basta fazer bem, tem que ser o melhor. Não precisa ser o melhor do mundo, ou mesmo do país ou da cidade. Tem que ser o melhor de você. É isso que importa. Nada importam os outros, se no fim das contas não são eles que decidem. Você é livre para fazer tudo o que tiver vontade, mas tem que saber também que tudo o que fizer lhe trará um retorno, seja ele bom ou ruim. Tudo o que você estimar poder fazer algum dia, de certo fará, mas não pode desistir disso em momento algum. Caso o faça estará perdendo o seu foco na sua vida e estará de novo a deriva. Viva intensamente cada momento de sua vida, pois nunca se sabe o que poderá acontecer nos próximos minutos. Procure fazer as escolhas mais sábias, pois cada uma delas tem a sua importância. Umas, é claro, têm um peso muito maior – tanto que levará conseqüências para toda a sua vida – e outras com um retorno momentâneo, mas não menos importante. Aprenda a ser você mesmo, valorizar a si. Só assim poderá dizer quem você é. Ninguém pode falar coisa alguma ser haver lhe conhecido. Tem que se fazer notar, se fazer visível entre os outros. Mostre a que veio e tudo do que você é capaz. Jogue fora suas máscaras, ninguém liga para elas, só os que precisam dela para sobreviver, aqueles que têm medo de dizer quem é e de dar a própria cara a tapa. Esses não merecem atenção, somente o silêncio e o tempo que for preciso para verem que não é esse o caminho.
Encerro aqui este texto que serve como a representação de um momento em que todos nós passamos por nossas vidas, uns mais cedo, outros mais tarde. É o momento mais importante de nossa vida. Nunca é um só. Passamos – ou deveríamos passar – por ele em diversos momentos de nossa vida. Quanto mais vezes ele se repetir, melhor, pois estaremos nos tornando seres humanos melhores e mais capazes de dar apoio a outros que passem pelo mesmo que nós. A nossa vida é repleta de mudanças, e para sermos capazes de acompanhar a essas mudanças, também precisamos mudar. Mudar atitudes, pensamentos, preconceitos, às vezes até amizades. Nada dura para sempre, até mesmo a separação. E para qualquer problema que exista nesse mundo – e quem sabe em outros – há uma solução. Disso não excluo nem a própria morte, que chegará o tempo em que até ela será vencida.
Boas escolhas!