sexta-feira, 1 de abril de 2011

[1] O mundo como ele é

O mundo urbano

Quem reina o mundo em que vivemos é o relógio, o tempo, o calendário. Faz anos que o Homem tinha controle de suas próprias vidas, de suas próprias decisões. Hoje ele só tem o tempo a seguir. Não há mais vida, só há trabalho, horário, regras e deveres. Direitos? De vez em quando se lembram de algum, mas no geral, só somos uma mão de obra necessária para que o processo funcione, para que se siga com a produção, que assim como o show, deve sempre continuar.
E como ficamos nós, em meio a esse sistema de cobrança excessiva? Não ficamos. Eles pouco se importam se estamos cansados, sofrendo, ou mesmo morrendo. “Se você não está em condições, ponho outro em seu lugar”, é como eles respondem. Não há conversa, muito menos negociação. Essa é a triste realidade, e a teremos que aceitar.
Já ouvi várias vezes a frase: “Estou me virando em dois”, três e até quatro, “para fazer isso”. Qual é o sentido de tanto esforço, de tanta dedicação? Temos mesmo que saber tanto assim? Será que usaremos todo esse conhecimento que querem que tenhamos? Creio que não. Basta conhecer a vida e perceber conforme a necessidade o que devemos ou não conhecer e fazer. É essa a essência da vida. Temos que aprender na hora, no momento, e em algum lugar, para que nosso conhecimento seja pleno e verdadeiro, não apenas um mundo de fachada, em que temos milhões de diplomas e não sabemos o que fazer com nenhum.
A vida nos propôs dois momentos ao dia. O dia propriamente dito e a noite, para que no primeiro possamos explorar todo o nosso mundo e vivermos nele, e no segundo possamos assimilar tudo o que adicionamos ao nosso conhecimento, ao nosso saber, pois é no descanso que adquirimos o verdadeiro conhecimento, aquele no qual podem se passar cinqüenta anos que você nunca o esquecerá, nunca o perderá.
Os seres humanos foram feitos para aprender, para mudar, e para VIVER. Não há razões para que vivamos em função de nossas próprias invenções.
Quem inventou o relógio, o carro, o avião? Tudo é coisa da humanidade, tudo é culpa nossa. Conhecemos o tempo, descobrimos como contá-lo e resolvemos usar-lo a nosso favor. Pena que um fenômeno bizarro aconteceu. À medida que a humanidade descobre novas maneiras de economizar seu tempo percebe que menos tempo terá o que levou muitas pessoas a consultórios psiquiátricos por problemas de estresse, depressão, dentre varias outras doenças causadas pelo estilo de vida contemporâneo, que é opressor, manipulador e exigente no qual pouquíssimos conseguem se adaptar sem nenhuma seqüela. Esse é o mundo moderno, esse é que é o mundo das tecnologias, o mundo das atualidades, do hoje, do agora, do “pra ontem”. É esse o mundo em que somos forçados a nos adaptar, pois é nele que temos que viver e não há como fugir sem ficar parado no tempo. Ganhamos muitas facilidades, mas perdemos nossas vidas.

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