sábado, 12 de março de 2011

O mundo pelo aluno do 3º ano do Ensino Médio - Como cheguei até aqui?

O que faço da minha vida?
Que faculdade eu vou fazer?
Como será depois que eu terminar a escola?
Qual faculdade vai me dar mais dinheiro?
O que eu gosto de fazer?
Vou ter que fazer cursinho?
Será que eu vou servir ao exército?
Como será ter dezoito anos?
Nossa! Quanta coisa. Será mesmo que eu tenho que pensar em tudo isso? Não tem como deixar para pensar nisso depois? Sei lá, para daqui a um ou dois no máximo. Infelizmente não tem mais como, passamos a vida inteira nos perguntando sobre as mesmas, mas tem uma hora em que vemos que tudo que aquela velha da professora de português, ou aquele chato do professor de matemática, e até mesmo os outros funcionários da escola falavam tem um pouco de verdade.
 O que faço da minha vida?Que faculdade fazer? O que eu gosto de fazer?
O caminho até aqui
Alguém se lembra de quando a tia da escola falava: “O que você quer ser quando crescer?”? E logo de cara vinha a resposta: “Eu quero ser jogador de futebol”. O tempo passa e os gostos vão mudando. Uns dizem querer ser médicos, outros engenheiros, ou simplesmente alguma coisa que dê dinheiro fácil e sem esforço. Se for assim é melhor ser político. Também tinham aquelas redações chatas pra caralho “Como foram as suas férias” que todo começo de ano você tinha que fazer. “Eu fiquei jogando futebol, vídeo game e andando de bicicleta, poxa, o que mais você quer que eu coloque? Vinte linhas é muito professora!!” Hoje em dia eu nem ligo muito para isso, já tem mais de dez anos que eu vou à escola afinal.
Passei da 1ª a 4ª série indo para a escola só para brincar, assistir filme e ouvir história. Claro que tinha uma lição ou outra para fazer e que eu odiava, pois eu queria fazer qualquer coisa e minha mãe falava “primeiro a lição”, e eu ficava fazendo careta e repetindo o que ela falava, coisa de criança nervosa. Depois chega a 5ª série e começa a aparecer um professor atrás do outro.  “Pra quê tanto professor? Uma já era o suficiente.” “Pra quê tanta matéria, só Educação Física já é o suficiente”. Tirando a parte de assistir aula era bom ir para a escola, por isso eu só assistia no dia que tinha prova e trabalho e para não repetir por falta. As meninas começam a ficar mais legais nessa época (da 5ª até a 8ª série), mais ‘interessantes’. Começam a surgir jogos e brincadeiras um pouco diferentes de antes, que agora já não eram mais coisa de criancinha. Agora eu sou grande, não sou mais bebezinho para minha mãe me levar para escola. Mãe tem é que ficar em casa ou no trabalho, fora de casa eu faço o que eu quiser, eu já sei me cuidar.
O tempo passa, as coisas mudam, principalmente quando você chega ao Ensino Médio. Eu não tenho mais tempo para ficar vagabundeando por aí com o pessoal. Agora eu estou precisando trabalhar, minha mãe não quer mais me dá dinheiro porque agora eu tenho que ter o meu próprio dinheiro. E agora eu até que concordo com isso, é até melhor, eu não preciso mais ficar falando com o que eu vou gastar cada centavo do meu dinheiro. Trabalhar. Ir para a escola. Nossa, que cansaço! Antes eu achava que isso era coisa de velho, mas agora eu entendo, infelizmente a gente precisa de dinheiro para tudo. Trabalhar é o único jeito de conseguí-lo além de fazer aposta na mega sena e ir para a ilegalidade. Nem tenho mais vontade de sair, prefiro ficar em casa dormindo. “No fim de semana eu saio”. Engraçado, a escola agora não me parece tão chata.  afinal, eu tenho amigos lá. Porque eu só percebo isso agora? Tem tantas coisas que só vejo agora. Aquela menina feia e esquisita é gente boa, o que ela não tem de beleza ela tem de legal. Os professores ainda ensinam coisas que eu nunca vou usar na minha vida, mas parece que alguns dele têm algo de especial, algo que lembra algum amigo ou alguma pessoa da família. Já sei! Eles são seres humanos também e têm tantos problemas quanto eu.
O que está acontecendo? Por que eu preciso fazer tudo isso?
continua...

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