Quão belo é interpretar? Quão belo é experimentar pelo menos por um momento o que o outro se sente, colocar-se no lugar do outro, fazer-se pelo outro, e até porque não, viver o outro. Viver uma experiência que não é sua. Viver o inusitado, e por que não, o inesperado? Viver um outro alguém, a imagem de quem você sempre quis ser e as leis da sociedade na qual vive nunca o permitiram. Liberte-se, mostre a que veio, seja quem você nunca foi. Esse é o poder da interpretação, o poder de mostrar aos outros uma nova versão de si mesmo. Uma nova versão que nem ao menos você conhecia. Um outro lado da sua vida que não precisa ser definitivo, ao menos pode ser mostrado, por um momento apenas, e depois tudo volta ao normal, tudo voltar a ser o que sempre foi. Com um diferencial, o que você sente não é mais o mesmo, a sua vida não é mais a mesma, pois vivenciaste uma nova vida, uma nova realidade, um novo contexto. Conseguiste viver uma vida que não é a sua, além do mais, mostrar que é possível ser alguém que não seja você mesmo.
A arte de se trocar pelo outro, o encontro dos desencontros encontrados dentro de cada ser. A vida trocada a cada cena, cada peça, cada passo. Cada movimento friamente/devidamente calculado, ensaiado, para que tudo no final ocorra bem, e que a mensagem seja passada. Através de seu corpo, através de seu personagem. Através de tudo que você possa usar e imitar, para que nada seja passado em branco e tudo seja usado em prol do personagem, e não de você. Você é o personagem, consequentemente ele virá a ser você. Não eternamente, ao menos no momento em que se encena. Depois ele volta a ser ele e você, você. Mas sempre, fica um pouco de cada um dentro de você, pois algo de profundo você dedicou para viver o outro, e parte desse outro morrerá com você, mesmo que esse outro nunca tenha existido.